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Manual de boas práticas da Rede Brasileira de Herbários

in Publicações RBH, RBH 22 de novembro de 2019

Amostragem destrutiva de espécimes de herbário As observações abaixo servem para nos ajudar a adequar a conservação de amostras de herbário à sua utilização para pesquisas científicas. As decisões relativas à mostragem destrutiva das coleções devem ser feitas caso a caso e são de responsabilidade de cada Curador.
Assim, os pedidos de remoção de amostras de exsicatas devem ser dirigidos ao Curador de cada coleção, e sugere-se seguir as regras abaixo além de qualquer outra adequação vista como importante pelo curador, considerando a particularidade de cada amostra/coleção.
1. Nenhum material pode ser removido de espécimes sem o consentimento prévio do curador do herbário ou de responsável substituto.
2. A folha, o pólen, os esporos, o tecido fúngico, filídios ou caulídios de briófitas, etc. podem ser removidos dos espécimes somente quando houver material adequado disponível, a ser julgado pelo curador. Deve-se ter extremo cuidado para não prejudicar o valor científico do espécime.
3. No caso de pólen, material deve ser removido de apenas uma flor por exsicata. Se possível, a flor não deve ser completamente danificada ou removida.
4. O material não pode ser removido de coleções de tipos, de espécimes históricos ou de taxa representada no herbário em menos de cinco amostras, exceto em casos específicos, e somente após a aprovação do curador e por um outro responsável por ele designado.
5. Cada espécime amostrado deve receber uma etiqueta indicando o tipo de material removido, a data de remoção, o nome e afiliação institucional da pessoa que removeu a amostra e o tipo de estudo. Recomenda-se adicionar um e-mail de contato, para facilitar novos estudos e evitar nova retirada de material, se for o caso.
6. Uma segunda remoção de material não deve ser feita, se a natureza do estudo for a mesma já executada.
7. Para estudos anatômicos e morfológicos, o pesquisador deve enviar uma duplicata da lâmina permanente, ou uma fotografia de Microscopia Eletrônica (seja varredura ou transmissão), sendo rotulados com o nome do táxon, o nome e o número do coletor, o país de origem do voucher da qual a amostra foi obtida e o método de preparação do material (por exemplo: acetólise, etc.).
8. Para estudos moleculares2, os pedidos devem indicar a quantidade específica de material necessário (no caso de estruturas achatadas como folhas, pode se indicar uma área específica, em cm2 ou mm2, a ser retirada). O(s) número(s) de acesso do GenBank deve(m) ser informado(s) ao curador ao final, para que este possa associar essas informações à amostra, bem como deve indicar se os resultados foram negativos ou positivos para extração e ou amplificação. O Herbário pode se reservar o direito de solicitar uma amostra de DNA ou material de sequência originalmente obtido dos espécimes cedidos.
9. Deve-se evitar solicitações de muitas amostras (sejam gêneros grandes, ou de uma família inteira, por exemplo). Neste caso, recomenda-se a visita ao herbário, usando seus próprios recursos, para selecionar espécimes para amostragem (recomenda-se, antes de solicitar material, que os bancos de dados disponíveis on-line sejam consultados). Uma simples consulta a bancos de dados com imagens pode reduzir o número de material selecionado para empréstimo e retirada de material.
10. O uso de espécimes deve ser citado em qualquer publicação resultante, sendo que uma cópia da deve ser enviada ao curador (preferencialmente em formato digital).


1 Baseado em recomendações gerais adotadas pelo Herbário NY.
2 Recomenda-se a leitura do artigo: Shepherd, Lara D. 2017. “A Non-Destructive DNA
Sampling Technique for Herbarium Specimens.” Plos One 12 (8): e0183555.
doi:10.1371/journal.pone.0183555.

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